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sábado, 20 de março de 2010

A rua

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Pedras da rua

São minhas e tuas e de quem passa por ti.
As pedras das ruas, os beijos do imigrante,
As esculturas dos distantes.
O jardim e as flores os muros do teu jardim
São as lindas casas de pedras.
Os telhados musgados, os pardais a cantar
as vidraças molhadas
as portas abertas e outras fechadas,
um cortinado diferente tudo no lugar, nada mudou
E eu carregando as lembranças,
lindos versos que me ensinou.
A era dos malhes a eira de cabecinha
Os normais do centeio os Medeiros de pelha
as trameiros das ruas.
Os carros de bois por ela a passar.
O celeiro do centeio nas telhas da casa.
A noite dos lampeões e as estrelas,
eram as luzes da aldeia...

Umbelina do Nascimento Nunes Reis

O romance

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Nós dois

Queria tanto saber de ti,
de todos dois, se é verdade.
E ainda há quem diga
que o amor é pecado.
Vejamos nós dois,
deixamos o amor para depois
O nosso amor profundo
bandido e secreto
O nosso coração e a nossa alma,
que se acalma finjimos que estamos longe,
estamos dentro um do outro
Abraçados na cruz.
O amor e a saudade são as flores
que me enfeitam.
Um manto me cobre com elas
vivo a cantar.
Procura-me pela rua
ou na praça da vitória
Escrever para o mundo a razão,
da nossa história
o tempo passa eu te espero
te abraçar na grça.
Se um dia perderes de mim,
quero que leias a nossa história,
Quero que leia até o fim
Volta amor não deixes para depois,
Venha ler a paixão que escrevi para nós dois.

Umbelina do Nascimento Nunes Reis

domingo, 14 de março de 2010

Menina

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Dona Umbelina nasceu dia 25 de Dezembro de 1922, na aldeia de Pombares, Trasosmontes, em Portugal. Quando ainda era menina sua mãe vira a falecer deixando esta responsabilidade para ela a filha mais velha que havia de cuidar de todos os irmãos para o pai poder trabalhar na lavoura. Sob estas condições não pode estudar...


Menina

Lembro-me daquela menina,
Dos cabelos ondulados,
caídos sobre os ombros.
Um olhar de criança,
por baixo do olhar.
Guardavas, tantas responsabilidades,
difícil de acreditar.
Cansada e preocupada,
Sorria para todos
Com divino olhar.
Quem diria!
Tanta tristeza,
Sem força para trabalhar
olhava para os cantos,
com um olhar manso,
chorava, chorava e chorava:
Oh! Deus dai-me força
Dá vida ao meu coração,
E não me deixe cair em depressão...


Umbelina do Nascimento Nunes